terça-feira, 24 de julho de 2012

Estética: O belo mais que divino.

Que maravilha a filosofia, não é?

Durante a minha graduação, a filosofia esteve sempre me espantando, me surpreendendo. Fiquei admirado com o pensamento de Heráclito, depois com a filosofia Socrática, passando pelo medievo, os modernos e contemporâneos, sempre enxergando algo de "Belo" nas teorias e seus teóricos.

No final do curso, não foi diferente, uma disciplina que se chamava "Estética", que significa o poder de sentir, de percepção das coisas, que do ponto de vista filosófico se volta ao estudo racional do belo e da percepção da arte pelo humano.

Não pude deixar de notar a semelhança, mais uma vez, entre filosofia e psicanálise no fantástico texto de Pareyson sobre a interpretação da obra de arte e do belo artístico com a interpretação psicanalítica, que tem tudo a ver com arte, poesia e suas características inacabadas e de infinitude.

E por falar em arte, nada melhor do que o "Renascimento". O fenômeno Renascentista reside tanto na pura diversidade de suas expressões como em seu caráter inovador. No espaço de apenas uma geração, Leonardo da Vinci, Michelângelo e Rafael produziram suas obras primas, Colombo descobriu o "Novo Mundo", Lutero rebelou-se contra a igreja católica e Copérnico teorizou o Universo heliocêntrico. Comparando aos antecessores medievais, o Homem do Renascimento parece ter saltado para uma situação sobre humana, ele era agora capaz de entender e refletir sobre os segredos da natureza, tanto na arte como na ciência, com incrível sofisticação matemática, precisão empírica e inigualável força estética. O homem do Ocidente renascera.

Ao comparar a visão artística do renascimento com o medievo fica claro um distanciamento da figura divina para uma aproximação com a figura do homem. O homem já não era mais tão secundário em relação a Deus, à igreja, ou à natureza. A proclamação de Pico della Mirândola sobre a dignidade humana parecia realizada em muitas frentes e em vários campos de atividade.

Enquanto a Idade Média com seu sistema Feudal e seus dogmas católicos impedia um desenvolvimento científico e estético, pois se prendia a problemática do Belo divino o Renascimento busca justamente o contrário, ou seja, se no medievo o físico era feio, no renascimento é modelo de genialidade e criatividade. Conforme costumava dizer Rafael, o artista deve apresentar em suas obras não o mundo como foi criado por Deus, mas como deveria ser criado. Homem é o que faz de si mesmo e não o que tinha herdado via sangue nobre(propriedade, status).

Como diria Leonardo da Vinci: "A arte é filosofia"

Talvez esteja aí a grande mudança. Para os medievais, a visão artística estava escurecida pelos dogmas da igreja, onde a única visão era a de um belo divino, já com o renascimento a visão artística se resplandece com a própria beleza da filosofia e daquele que a pratica: o homem.

Marcos C. Ciciarelli, Psicanalista, Filósofo e Coach.


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