terça-feira, 10 de julho de 2012

A alma não é uma coisa.

Este é o título de um capitulo do livro "Por que a psicanálise?" da brilhante escritora, historiadora e psicanalista francesa Elisabeth Roudinesco, onde ela cita algo como: "Quando se está desmoronando sob o peso das palavras recalcadas, das condutas obrigatórias, das aparências a serem salvas, quando a imagem que se tem de si mesmo torna-se insuportável, o remédio é a psicanálise. Não mais sentir vergonha se si mesmo é a realização da liberdade. É isso que uma análise bem conduzida ensina aos que pedem socorro a ela e guardam por seus psicanalistas uma gratidão infinita."
Em uma sociedade cada vez mais pragmática, liberal depressiva e sem tempo pra nada, observa-se na clínica uma parcela cada vez maior de pessoas carregadas de angústia, ansiedade, agitação e melancolia, tentando se safar através de tratamentos rápidos e psicofarmácos "mágicos", buscando uma posição cada vez menos conflituosa. Pensar dói e é difícil, porém, onde há o sujeito, a paixão, o desejo e uma história, não há outra saída. A psicanálise conquista o mundo através da singularidade da experiência subjetiva, colocando o inconsciente, a perda e a sexualidade no cerne da alma humana.

Marcos C. Ciciarelli, Psicanalista e Filósofo.

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